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Resenha do show de Lisboa

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Aqui está a resenha do show do New Order em Lisboa, feita pelo nosso colega Jorge Teixeira t.c.p. Monsieur Round&Round, que me pediu que seu texto fosse postado aqui no fórum.

A VERDADEIRA FÉ

Lisboa, 28 de Maio de 2005.

Uma data que jamais esquecerei: após 24 anos, o New Order veio a Portugal... e eu estava lá! Que importa não tenham tocado Everything’s gone green, Lonesome tonight ou The perfect kiss? Que importa se Barney entrou a destempo em Run wild? Que importa eu não ter uma máquina fotográfica digital para imortalizar o evento? Que importa o fato de Barney, ao contrário do que dizem milhões de NOOL’ers, RARAMENTE ter olhado seu autocue? Que importa o fato de Steve, sendo o melhor baterista do mundo, manter sempre aquele ar de “putz, mais um dia no escritório...”? Importa sim que, quando eu já me havia conformado com o fato de jamais ir ter a chance de ver um show de meus ídolos, alguém se ter lembrado de os contratar para um festival... vinte e três anos depois de a banda ter recusado um convite para o festival de Vilar de Mouros de 1982, dizendo “o New Order não toca em festivais!” (sim, e que importa que, antes disso, já tinham tocado no festival de Glastonbury?). Mal cheguei a Lisboa, acompanhado de Madame Round & Round (o enfant Round & Round ficou com vóvó, claro...) e de dois amigos, vi que a noite ia ser grandiosa: ao entrar no ônibus que nos iria levar ao local do show, ouvi uma melodia familiar. Junto de meu assento, um garoto cantava “Temptation”! Chegados ao recinto, e depois de suportar 90 (NOVENTA!) minutos de Black-Fucking-Eyed-Fucking-Peas (minha culpa, pois calculei mal a hora de chegada...) mais 15 minutos do Loto, uma banda lusa que gostaria de ser o New Order quando fôr grande (isso é um elogio, a propósito!), eis que o New Order ENTRA EM PALCO! Barney nos saúda com um “Longa vida a Cristóvão Colombo!”, demonstrando que suas aulas de História não tiveram grande aproveitamento, e a banda ataca

LOVE VIGILANTES Enfim, se inicia o evento que eu aguardava há anos: Steve manda pau na bateria, Barney toca aquela melodia eterna em sua melódica e Hooky comanda tudo com seu baixo. Lá atrás, gozando o momento, Phil acompanha tudo em sua guitarra. Só uma nota menor: apesar de “Love vigilantes” ser uma de minhas músicas favoritas do New Order, como abertura de show não parece funcionar bem. Eles precisariam de algo como

CRYSTAL Poderosa versão! Se gostaram da versão do 511, essa aí suplanta tudo! Não há Dawn Zee, nem sequer em gravação, sendo tudo sustentado numa levada bem rock. Acima de toda a gente, ouve-se sempre o baixo “mandão” de seu Hook. Melhor que isso, só

REGRET Primeiro momento em que a multidão entra em êxtase! Surpreendendo até a mim, a música é entoada em côro por toda a gente. Começo a notar a importância que Phil está ganhando no som do New Order: sua guitarra enche o som das músicas, nunca ganhando relevância sobre os demais instrumentos, mas demonstrando que sua chamada como membro efectivo da banda nada tem de forçado: ele é de pleno direito membro do New Order! Logo logo vem

HEY NOW WHAT YOU DOING ...que Barney anuncia como “Road to ruin”. Uma de minhas favoritas do WFTSC, se confirma ao vivo como uma excelente canção, fazendo Phil de novo brilhar na guitarra

KRAFTY Outra surpresa: o pessoal recebe a música com gritos de satisfação, provando que o novo álbum tem recebido boa recepção nas rádios. Segunda surpresa: Barney GRITA parte da música, o que torna tudo divertidíssimo para toda a gente... menos para Hooky, que olha ameaçadoramente para seu companheiro de quarenta anos. No final, ambos trocarão palavras que se adivinham azedas... E aí chega

TRANSMISSION Oba! Oba! Como é bom que o New Order se tenha deixado de bobagem e toque o que toda a gente quer ouvir: os clássicos do Joy Division, que els mesmos compuseram há tanto tempo... mas parece que foi ontem, e SOAM como se, de fato, tivessem sido escritos ontem! É então que começa

RUN WILD Não, não começa! Barney entra a destempo, obrigando a banda a abortar a tentativa, com pedidos de desculpas do vocalista. À segunda acertam e, outra surpresa, ouve-se uma excelente versão de uma das mais fracas canções do New Order, bem mais pesada, mais rock. Só não entendi a melódica gravada...

SHE’S LOST CONTROL Mais um clássico, com Steve impondo o ritmo marcial da versão original. Phil está ótimo no sintetizador e Hooky também em seu baixo

WAITING FOR THE SIRENS’ CALL Uma das grandes, uma das melhores faixas que o New Order já escreveu! Essa versão ao vivo, apesar de boa, não me convenceu muito: a música é tão maravilhosa que só uma versão PERFEITA lhe faria justiça, o que infelizmente não foi o caso... E a festa total regressa com

BIZARRE LOVE TRIANGLE Barney entrega sua guitarra ao roadie e, empunhando o microfone diz algo como “chega de rock tradicional, vamos à música de dança!”, sinal para Steve disparar o sample que dá início a uma versão arrasadora do clássico oitentista. Até o pessoal dos “Vikings” (o grupo de fãs antenados que segue o NO para todo o lado), que até aí estava impávido e sereno assistindo a tudo (ué, e se dizem fãs?) saiu dançando como loucos!

TRUE FAITH E o New Order não dá descanso a ninguém! Outro clássico, outra versão demolidora! Sim, é de novo o menos-que-perfeito Perfecto Mix, mas como soa bem ao vivo!

LOVE WILL TEAR US APART O GRANDE momento do festival... e um dos grandes momentos de toda a minha vida! Juro que quando o Hooky, se virando para um cara na audiência com uma camiseta do Joy Division e lhe diz “oi garoto! Tenho estado de olho em você! Essa ai é para você!” meus olhos se encheram de lágrimas de alegria! Não tenho palavras que consigam transmitir o que senti no momento nem a loucura que se apoderou daquelas 20.000 almas...

TEMPTATION Julgavam que o New Order se dava por satisfeito? Não, ainda havia espaço para mais, com Barney dizendo “bem, essa aí que acabámos de tocar era para ser a última, mas estamos gostando tanto de vocês que vamos tocar mais essa, como bônus”. Logo depois, uma “Temptation” incrível com Barney mostrando que também domina a sua guitarra. E o New Order abandona o palco, com Barney se despedindo “até uma próxima vez”... ...mas claro que o pessoal não deixa e a banda regressa para o encore, com

ATMOSPHERE Arrepiante! Hooky e Steve, mais uma vez, arrasam. Barney termina dedicando a canção a Ian, com um sentido “você deveria estar aqui”... e pela segunda vez meus olhos se enchem de lágrimas. Para fim, claro que tinha que vir

BLUE MONDAY Barney, gozão, diz “nunca nos cansamos de tocar essa aí”...e eu, sério, digo: não me canso de ouvir essa aí! Na versão 2005, a faixa conta com os samples da Kilie Minogue, que resultam muito bem, refrescando a música. Barney toca sintetizador juntamente com Phil e Hooky, pela primeira vez, NÃO destrói sua bateria electrónica no final (apesar de o roadie ter que a segurar para ela não cair, tal a força com que Hooky bate!). E, agora de vez, o New Order sai de cena... ...esperando eu que não demorem mais 24 anos a regressar!

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