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Durutti Column e Portugal

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O prometido é (finalmente) devido:

com mil vénias ao blog http://imberbequim.blogspot.com

Vini Reilly, amigo de Portugal como há poucos, mentor e alma mater do projecto Durutti Column, que muitas alegrias sonoras trouxe ao Imberbe e a todos os que, como ele, partilham da idéia de que a música deve ser fruída e não vendida a peso, escutada e não negligenciada, amada mas não saqueada, traz-nos uma pérola do seu vasto repertório: "Amigos em Portugal" , disco originalmente editado em Dezembro de 1983 pela extinta e saudosa Fundação Atlântica do imberbe-mor Miguel Esteves Cardoso e agora -finalmente- editado no formato CD, o que sucede pela primeira vez. Outros eram os tempos, em que os nomes "Sara" e "Tristana" significavam, para o melómano instruído, o título de uma faixa do álbum e não os nomes de apresentadoras de medíocres reality-shows (em ambos os casos as filhas gémeas de Miguel Esteves Cardoso, mas trata-se de mera e infeliz coincidência...). Mas, perguntam vocês, como raio o M.E.C. conseguiu editar, na sua minúscula mas bem intencionada editora, um LP dos já à época prestigiados Durutti Column? É essa a história que aqui vai ser contada... Temos pois que recuar aos idos de 1977, onde um pubescente Miguel Esteves Cardoso, recém-chegado a Manchester para iniciar os seus estudos universitários de Sociologia Política (sim, naqueles bárbaros tempos cursos como Gestão, Economia e Direito ainda não existiam, razão pela qual os políticos da altura eram todos militares...), mas mais interessado em conhecer as actividades noctívagas do velho burgo industrial, tropeça num certo "Factory Club", velho pub manhoso e cheio de ranço que um jornalista de seu nome de baptismo Anthony H. Wilson decidira reconverter em clube rock e onde actuavam bandas de nomes estranhos como Buzzcocks, Cabaret Voltaire e um quarteto que muito impressionou o jovem luso. Chamavam-se a si mesmos Joy Division e, capitaneados por um vocalista epiléptico que cantava letras da sua autoria, tocavam um rock visceral de fortes laivos punk. Numa dessas noites, conheceu um rapaz esquálido e tímido de seu nome Vini Reilly que, acompanhado de uma guitarra eléctrica Gibson e de uma caixa-de-ritmos primitiva, tocava uma música belíssima, etérea e impressionista, primordialmente instrumental. Ao regressar à nossa pátria ditosa, M.E.C. enveredou pelo jornalismo musical. Quem se lembra das suas crónicas nos extintos pasquins "O Jornal" e "Sete" deve ainda hoje soltar risadinhas de prazer ao recordar o iconoclastismo do escriba. A quem nunca leu, o Imberbe aconselha a aquisição do livro "Escrítica Pop", onde tais crónicas se mostram colectadas em edição Assírio & Alvim. Mas M.E.C. queria algo mais. Com a ajuda dos amigos Pedro Ayres de Magalhães e Francisco Sande e Castro (que entrou com o sempre necessário capital...), decidiu aventurar-se nos terrenos escorregadios e traiçoeiros da edição musical. Aliando-se à filial portuguesa do gigante EMI, fundou uma editora a que deu o nome "Fundação Atlântica". Após as primeiras e bem-sucedidas edições (como o single estréia da Sétima Legião, o clássico "Glória") M.E.C. e os seus acólitos decidem editar um disco de um artista internacional. Ao bom estilo M.E.C., a operação é rápida: aproveitando a visita a Portugal de Vini Reilly (que mantivera com M.E.C. laços de estreita amizade) para uma série de shows, alugam os estúdios de gravação de Paço D'Arcos e, num fim-de-semana (pois o orçamento não dava para mais), gravam aquele que seria "Amigos em Portugal", um futuro clássico. Claro que a Fundação Atlântica pouco mais durou, vítima do romantismo sem concessões e da inocência dos seus mentores. Fica-nos como legado, entre outros discos notáveis, "Amigos em Portugal"...

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Jorge, vc vai ao show do Loyd Cole, próximo dia 1/10 ? Caso vá, não esqueça de nos brindar com o resumo do mesmo, ok ? Não vão sumir como fez após ir ao do New Order. Obrigado :thumb:

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Laranjeira wrote: Jorge, vc vai ao show do Loyd Cole, próximo dia 1/10 ? Caso vá, não esqueça de nos brindar com o resumo do mesmo, ok ? Não vão sumir como fez após ir ao do New Order. Obrigado :thumb:

Bem, o próximo dia 1/10 foi no sábado passado :laugh:

mas eu colocarei a resenha em breve...:wink:

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Jorge, não sei se você se lembra, mas em abril de 2004 você escreveu um texto chamado "Amigos em Portugal" que falava justamente do Durutti Column em terras lusitanas.

O texto estava incompleto, mas você disse que entregaria o resto depois. Pelo visto, você decidiu escrever tudo novamente, do zero.

De qualquer forma, está aqui o texto original e inacabado.

Amigos em Portugal

Nossa história começa em 1977, quando um jovem luso (mas de ascendência inglesa) chamado Miguel Esteves Cardoso parte para Manchester para cursar Sociologia Política na universidade local. MEC, como se tornou conhecido por milhares de portugueses antenados, tinha uma particularidade: apesar de brilhante aluno, era fissurado em farras noturnas, pelo que, ao chegar à feia cidade inglesa de imediato procurou integrar-se no circuito noturno local.

Era pois inevitável que, mais cedo ou mais tarde, descobrisse que na gélida zona industrial mancuniana, num sórdido e decadente bar chamado de Russell Club, um tal de Tony Wilson (que MEC já conhecia do programa de televisão So it goes) organizava shows com as bandas mais badaladas do momento. Acaso do destino ou intervenção divina, o certo é que, na noite em que MEC pisou pela primeira vez o clube, a banda Joy Division dava um dos seus lendários gigs...

Nosso herói nunca havia ouvido nada assim. Armado da sua lendária cara-de-pau, procurou a banda no final do concerto para os parabenizar por aquele que se tornaria o show da sua vida para sempre. Nos bastidores do clube, acaba por esbarrar em Wilson e seu gang (Alan Erasmus, Rob Gretton e capangas) que, intrigados por aquele magrela de um metro e noventa com nome estrangeiro mas impecável sotaque inglês, decidem deixá-lo entrar no backstage, onde fazem sensação os elogios ao Joy Division que o entusiástico cara metralha quase sem tomar fôlego.

Regressado à residência para estudantes onde vive, MEC toma uma decisão: vai ser jornalista musical! No dia seguinte, escreve e envia cartas para todos os jornais portugueses, oferecendo os seus préstimos como correspondente em Inglaterra. Naturalmente, nenhum lhe responde.

Desiludido, MEC coloca de lado a sua ambição, concentrando-se nos estudos, razão afinal da sua estadia em Inglaterra. Continua, apesar disso, frequentador assíduo do Russell Club, seguindo o Joy Division para qualquer lado onde a banda desse um show. Começa também a seguir outras bandas, como o Echo & The Bunnymen, A Certain Ratio e um certo cara tímido que se apresenta como The Durutti Column. Vini Reilly, pois é esse seu nome, encanta nosso amigo com as aguarelas impressionistas que "pinta" com sua guitarra.

No entanto, um novo golpe do destino vai alterar definitivamente a vida de MEC. Em férias em Portugal, ouve estupefacto na rádio a música que tanto o apaixona. Quem é esse cara, pensa, e como conseguiu esses discos? E como consegue passá-los na profundamente conservadora Rádio Renascença... propriedade da Igreja Católica portuguesa?

"Esse cara", descobre MEC, é António Sérgio, jovem radialista que, devido a amigos ingleses, descobriu o punk e todo o movimento musical que assolava a Grã-Bretanha nos anos Tatcher. Graças a esses amigos, que lhe fazem chegar a um ritmo quase semanal as novidades discográficas, Sérgio reuniu em poucos anos um acervo musical de respeito. Decidido a partilhar com outros esses tesouros, resolve apresentar à direção da Rádio Renascença, onde mantinha medíocres programas musicais nos quais não tinha qualquer responsabilidade na escolha do reportório, uma proposta para uma emissão dedicada "aos jovens". Propositadamente vaga e com poucos pormenores sobre o conteúdo real do hipotético programa, a proposta é aceite para enorme surpresa de Sérgio. Nasce assim o "Rolls Rock", que vai causar furor no Portugal fechado e pobre do final dos anos 70, ainda recuperando das feridas causadas por cinquenta anos de ditadura. Apesar de ser emitido de madrugada, se torna um êxito.

MEC é apenas mais um dos seus fiéis ouvintes naquelas férias de Verão, mas não descansa enquanto não conhece pessoalmente António Sérgio. A empatia entre ambos é imediata e Sérgio se encanta por conhecer alguém que vive bem no centro daquela revolução musical que tanto o apaixona e que, inclusive, conhece pessoalmente alguns dos autores dos discos que passa em seu show. MEC, por seu lado, vê ali uma oportunidade de cumprir o seu sonho de ser jornalista. Sérgio, sendo radialista, tem, evidentemente, imensos contatos no meio jornalístico. Graças a esses contatos, faz chegar ao diretor do jornal semanal "Sete" textos que MEC escrevera. O convite surge de imediato.

Com efeito, o estilo de escrita de MEC é tão inovador e mostra um domínio da língua portuguesa tão perfeito que os jornalistas do "Sete" se interrogam se "MEC" não será o pseudónimo de algum famoso jornalista ou escritor. Só quando conhecem o jovem universitário e sua gravata papillon se convencem lhes ter caído em mãos um génio. MEC torna-se assim correspondente do "Sete" em Inglaterra e suas crónicas assinadas "Miguel Esteves Cardoso, correspondente em Manchester" se tornam de imediato populares.

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Obrigado Ricardo! É que esse "texto original" foi por mim escrito no PC que tenho em meu gabinete de trabalho... e desapareceu quando me instalaram o XP (lembra no mail em que lhe enviei a resenha do NO eu dizer que não sabia onde estava o ficheiro?). Agora decidi escrever uma versão condensada da história, mas fica completa com a 1ª versão... :thumb:

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Monsieur Round & Round wrote:

Laranjeira wrote: Jorge, vc vai ao show do Loyd Cole, próximo dia 1/10 ? Caso vá, não esqueça de nos brindar com o resumo do mesmo, ok ? Não vão sumir como fez após ir ao do New Order. Obrigado :thumb:

Bem, o próximo dia 1/10 foi no sábado passado :laugh:

mas eu colocarei a resenha em breve...:wink:

esse meu lado Português às vezes faz cada uma....:banghead: :banghead:

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