E tem mais:
Na minha opinião, "Fine Time" não só é um estupendo clássico (não só do NO, mas de um gênero inteiro), pela sua estrutura, melodias e efeitos desencontrados, batidas arrasadoras e uma linha de baixo assombrosa no final.
É um clássico que antecipou, em no mínimo 4 anos, a onda da nova música eletrônica da déc. de 90, que veio a estourar somente em 1992-93 com Altern 8, Prodigy, Future Sound Of London e outros. Na época (88-89), "música eletrônica" tinha 3 conotações: ou era um EBM belgo-alemão, duro, travado, não-progressivo e inacessível ao gde público, ou, ao contrário, era um acid-house superficial, feito para rádios tipo Jovem Pan, com melodias chicletudas cantadas por mulheres, de onde só se salvava o tsk-tsk e o bumbo. Tinha também a turma do tecnopop, como Cabaret Voltaire, Depeche Mode e Ultravox, que estavam mais pra pop do que pra tecno.
Outros "papas" da eletrônica dos 90 só surgiriam BEM depois, como Fatboy Slim (basta lembrar que em 89 o Norman Cook era um mero baixista dos infames Housemartins, aqueles do "pa-pa-pa-papel") e os Chemical Brothers (que pagaram tributo em "Out Of Control").
Ou seja, pó pô sequenciadores no lance ao vivo, sem problema nenhum. Pra quem já tocou "Blue Monday" totalmente pré-programado no Top Of The Pops, para uma platéia que só não ficou parada por que o diretor do programa não deixou, o que é programar a melhor dance track do mundo para um show?
Aliás, uma pergunta: a poética "letra" de Fine Time é sobre o famoso "trabalho-de-sopro"?