Música para (re)fazer história
Joy Division e Echo & The Bunnymen foram apenas duas das bandas a encharcar o rock britânico de angústia e melancolia nos anos 80. O som, que marcou época e geração, agora surge reciclado. E do outro lado do Atlântico. Os responsáveis por isso vêm da cosmopolita Nova York e assinam com o nome de Interpol. O primeiro álbum, o badalado Turn On The Bright Lights, acaba de ser lançado no Brasil. O guitarrista e fundador do quarteto, Daniel Kessler, bateu um papo com o Bacana e falou sobre rótulos, composições e a vontade de tocar no Brasil - o que pode vir a acontecer até o final do ano.
Terninhos bem cortados e melancolia importada dos sons britânicos formam a dobradinha de sucesso do Interpol
A cada ano – às vezes a cada seis ou três meses – a mídia musical, principalmente as norte-americana e inglesa, elege um artista ou grupo como "o salvador" do rock mundial, ainda que não se tenha diagnosticado ao certo que doença é esta que vem exigindo cura milagrosa. Strokes, White Stripes e Vines e Hives já fizeram parte desta lista efêmera que garante os primeiros lugares nas paradas de sucesso, capas de revistas especializadas em todo o mundo, boas vendagens de discos e os tais 15 minutos de fama a que todos temos direito.
Desde agosto do ano passado, o Interpol vem ocupando este lugar com o ótimo álbum de estréia, Turn On The Bright Lights, lançado pela Matador e por aqui pela Trama. A posição vem rendendo uma longa turnê pelos Estados Unidos, devendo chegar à Europa até o final deste semestre - podendo ainda passar ainda pela América do Sul. A banda faz parte da emergente cena novaiorquina, que já soltou Radio 4 e The Yeah Yeah Yeahs, ambos ainda não muito conhecidos pelo público brasileiro.
"Na verdade esta tal cena que a mídia fala que existe em Nova York já rola há muito tempo, mas só agora foi descoberta. São boas bandas que fazem um bom trabalho, cada qual ao seu estilo. Acho que fazemos parte deste grupo e nos identificamos com ele", disse em entrevista por telefone, durante a turnê americana, o guitarrista e fundador do grupo, Daniel Kessler.
A semelhança com o som tocado pelas bandas britânicas na década de 80 é a principal característica do Interpol. "Eu acho que as pessoas podem dizer o que quiserem. Não nos importamos com isso. O que quero dizer é que não fizemos um disco premeditadamente referente ao pop inglês da década de 80 ou o que quer que fosse. Quando se está gravando o primeiro álbum, ainda não está definido o que se quer e como fazer isso da melhor forma. Talvez haja essas referências, tudo bem. Mas isso não quer dizer que terá de ser assim daqui para a frente", explica.
Concorde ele ou não, o fato é que é quase impossível escutar faixas como "Stella Was A Diver And She Was Always Down" ou "Obstacle" sem lembrar nomes como Joy Division, New Order, Smiths ou Echo & The Bunnymen. "Ouço música daquela época, mas também escuto coisas das décadas de 60 e 70 e isso também acaba influenciando nosso trabalho", diz Daniel, que prefere deixar os rótulos para os críticos.
Formado por Paul Banks (vocais e letras), Daniel Kessler (guitarra e vocais), Carlos D (baixo) e Sam Fogarino (bateria), o Interpol surgiu no final de 1998, na Universidade de Nova York. O guitarrista, que desde os 14 anos já sabia o que era fazer música, usou o velho esquema que deu origem a tantas bandas através dos anos: anúncios no mural da faculdade à procura de quem quisesse formar uma banda de rock. Mas não foi apenas a qualidade musical dos concorrentes que foi levada em consideração. O estilo de cada um também contava muitos pontos. Banks, por exemplo, foi escolhido vocalista também por sua franja e, até hoje, os integrantes se apresentam sempre vestidos a rigor. Nada dos ternos propositalmente mal cortados do Hives mas, sim, peças com o caimento impecável.
Daniel, em contrapartida, argumenta que nada disso foi pensado. Segundo ele, todos já se vestiam assim quando os conheceu. "Não precisamos chamar a atenção por nossas roupas", adverte. E ele tem razão. As letras, em sua maioria falando de amor, são um de seus trunfos, impregnadas de angústia e sentimento. "Esse negócio de não colocar as letras no encarte do disco foi, na verdade, uma escolha do Paul. Colocamos as letras no nosso site e quem tiver curiosidade pode acessar. Mas acho legal que as pessoas escutem o disco sentindo a música, sem se preocupar tanto com o que estamos dizendo", conta o guitarrista.
As 13 músicas do CD, assinadas apenas com o nome da banda, tiveram realmente a participação dos quatro integrantes. "As letras costumam ficar a cargo do Paul mas, de resto, acho que acabamos fazendo tudo junto mesmo. Eu, por exemplo, chego com um riff de guitarra ou uma melodia e os outros vão acrescentando seus instrumentos. Gosto da maneira que trabalhamos. É uma coisa democrática, que dá liberdade a cada um expressar a música como sente".
Ao vivo eles têm surpreendido em shows sempre lotados e devem ter vaga garantida nos festivais de verão que a partir de junho começam a percorrer os Estados Unidos e Europa. Por aqui, os brasileiros terão de esperar um pouquinho para assistir ao quarteto. "Pelos próximos meses, acho difícil que isso aconteça. Estamos em turnê e a agenda estácheia. Mas talvez, mais para o fim do ano, possamos aparecer por aí. Tenho amigos no Brasil e conheço um pouquinho da cultura do país. Temos vontade de tocar por aí, sim", conclui Kessler.
A cada ano – às vezes a cada seis ou três meses – a mídia musical, principalmente as norte-americana e inglesa, elege um artista ou grupo como "o salvador" do rock mundial, ainda que não se tenha diagnosticado ao certo que doença é esta que vem exigindo cura milagrosa. Strokes, White Stripes e Vines e Hives já fizeram parte desta lista efêmera que garante os primeiros lugares nas paradas de sucesso, capas de revistas especializadas em todo o mundo, boas vendagens de discos e os tais 15 minutos de fama a que todos temos direito.
Desde agosto do ano passado, o Interpol vem ocupando este lugar com o ótimo álbum de estréia, Turn On The Bright Lights, lançado pela Matador e por aqui pela Trama. A posição vem rendendo uma longa turnê pelos Estados Unidos, devendo chegar à Europa até o final deste semestre - podendo ainda passar ainda pela América do Sul. A banda faz parte da emergente cena novaiorquina, que já soltou Radio 4 e The Yeah Yeah Yeahs, ambos ainda não muito conhecidos pelo público brasileiro.
"Na verdade esta tal cena que a mídia fala que existe em Nova York já rola há muito tempo, mas só agora foi descoberta. São boas bandas que fazem um bom trabalho, cada qual ao seu estilo. Acho que fazemos parte deste grupo e nos identificamos com ele", disse em entrevista por telefone, durante a turnê americana, o guitarrista e fundador do grupo, Daniel Kessler.
A semelhança com o som tocado pelas bandas britânicas na década de 80 é a principal característica do Interpol. "Eu acho que as pessoas podem dizer o que quiserem. Não nos importamos com isso. O que quero dizer é que não fizemos um disco premeditadamente referente ao pop inglês da década de 80 ou o que quer que fosse. Quando se está gravando o primeiro álbum, ainda não está definido o que se quer e como fazer isso da melhor forma. Talvez haja essas referências, tudo bem. Mas isso não quer dizer que terá de ser assim daqui para a frente", explica.
Concorde ele ou não, o fato é que é quase impossível escutar faixas como "Stella Was A Diver And She Was Always Down" ou "Obstacle" sem lembrar nomes como Joy Division, New Order, Smiths ou Echo & The Bunnymen. "Ouço música daquela época, mas também escuto coisas das décadas de 60 e 70 e isso também acaba influenciando nosso trabalho", diz Daniel, que prefere deixar os rótulos para os críticos.
Formado por Paul Banks (vocais e letras), Daniel Kessler (guitarra e vocais), Carlos D (baixo) e Sam Fogarino (bateria), o Interpol surgiu no final de 1998, na Universidade de Nova York. O guitarrista, que desde os 14 anos já sabia o que era fazer música, usou o velho esquema que deu origem a tantas bandas através dos anos: anúncios no mural da faculdade à procura de quem quisesse formar uma banda de rock. Mas não foi apenas a qualidade musical dos concorrentes que foi levada em consideração. O estilo de cada um também contava muitos pontos. Banks, por exemplo, foi escolhido vocalista também por sua franja e, até hoje, os integrantes se apresentam sempre vestidos a rigor. Nada dos ternos propositalmente mal cortados do Hives mas, sim, peças com o caimento impecável.
Daniel, em contrapartida, argumenta que nada disso foi pensado. Segundo ele, todos já se vestiam assim quando os conheceu. "Não precisamos chamar a atenção por nossas roupas", adverte. E ele tem razão. As letras, em sua maioria falando de amor, são um de seus trunfos, impregnadas de angústia e sentimento. "Esse negócio de não colocar as letras no encarte do disco foi, na verdade, uma escolha do Paul. Colocamos as letras no nosso site e quem tiver curiosidade pode acessar. Mas acho legal que as pessoas escutem o disco sentindo a música, sem se preocupar tanto com o que estamos dizendo", conta o guitarrista.
As 13 músicas do CD, assinadas apenas com o nome da banda, tiveram realmente a participação dos quatro integrantes. "As letras costumam ficar a cargo do Paul mas, de resto, acho que acabamos fazendo tudo junto mesmo. Eu, por exemplo, chego com um riff de guitarra ou uma melodia e os outros vão acrescentando seus instrumentos. Gosto da maneira que trabalhamos. É uma coisa democrática, que dá liberdade a cada um expressar a música como sente".
Ao vivo eles têm surpreendido em shows sempre lotados e devem ter vaga garantida nos festivais de verão que a partir de junho começam a percorrer os Estados Unidos e Europa. Por aqui, os brasileiros terão de esperar um pouquinho para assistir ao quarteto. "Pelos próximos meses, acho difícil que isso aconteça. Estamos em turnê e a agenda estácheia. Mas talvez, mais para o fim do ano, possamos aparecer por aí. Tenho amigos no Brasil e conheço um pouquinho da cultura do país. Temos vontade de tocar por aí, sim", conclui Kessler.